segunda-feira, 18 de maio de 2009

Romantismo no futebol

Foto: Autor desconhecido.

É plausível a justa homenagem feita no Engenhão ao ex-jogador do Botafogo e da Seleção Brasileira Nilton Santos, aniversariante do último sábado completando seus 84 anos. Detalhe, vestiu apenas estas duas camisas enquanto jogador. O esporte, principalmente o futebol é especial, pois o passado se revive em segundos, em imagens, fotografias, arquivos, conquistas e lembranças de pessoas que fizeram uma história digna de um grande reconhecimento.

A trajetória de sucesso do futebol no nosso País, passa por tantos nomes importantes que é difícil lembrar todos, mas não podem cair no esquecimento dos clubes e entidades por onde passaram. A imprensa não cansa de cobrar da CBF principalmente, uma homenagem e também uma ajuda a aqueles que fizeram por nós, em uma época totalmente diferente, onde as cifras não mandavam e sim o talento de cada um.

Hoje, tudo anda muito corriqueiro. O craque joga seis meses aqui e faz as malas. Não quer mais a história de sucesso, e sim o luxo daqui a algum tempo. Não quer o reconhecimento daqui a algum tempo. Não é questão de ser contra a fazer uma carreira aqui ou ali, tampouco deixar passar oportunidades que, ás vezes, podem ser perdidas. Contudo, essas mudanças todas fazem valer cada vez mais aqueles que viveram uma era de “romantismo no futebol”. E não do capitalismo no futebol.

Parabéns, Nilton Santos!

Uma boa semana a todos.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

A velha arte

Foto: autor desconhecido.

O campeonato Brasileiro começou e os times cariocas Botafogo, Flamengo e Fluminense já sentiram o quanto promete ser competitiva essa edição. Empate, derrota e vitória. Também não é o fim do mundo. Esses times precisam reforçar os elencos que possuem hoje, e ainda ficar de olho na janela de transferências, se almejam algo grande na competição.

Destaque na primeira rodada, Nilmar, com todo o seu talento e sem modéstia, deixou diversos marcadores pra trás com a lisura de quem tem talento natural. A confiança em seu futebol é algo interessante. Seu grande mérito de não desistir da jogada em nenhum momento, ainda que tentassem derrubá-lo e marcou um golaço. Isso lembra os jogadores de antigamente, que não faziam do artifício da falta, uma forma de se apequenar perante a luta em campo.

Hoje em dia o futebol arte anda escasso, ainda mais aqui no Brasil. Isso se deve ao grande êxodo de jogadores para o exterior. É doloroso ler a matéria publicada pela revista “Veja”, e já saber o destino de tantas promessas. Hoje em dia eles não querem mais ser ídolos dos clubes daqui, querem ser milionários ou simplesmente ajudar suas famílias.

Valorizo cada toque de fina arte, a magnitude do drible, a emoção da jogada que faz levantar o torcedor e levá-lo ao estádio. Por aqui ainda precisam ser feitas muitas coisas para resgatar a fidelidade de quem torce, seria bom para todos os lados principalmente para melhorar o espetáculo.

O futebol brasileiro não pode perder seu brilho, pois é aqui que nascem os maiores craques do mundo e isso tem que prevalecer.

Viva o futebol arte.

Um abraço a todos.

Kadu Braga.


Veja os detalhes do gol de Nilmar!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A volta do imperador

Foto: André Durão/ globoesporte.com

“O bom filho à casa torna”, é a frase que descreve a volta de Adriano à Gávea. Depois de passar um tempo afastado dos gramados, agora é o momento do reencontro com a alegria, para fazer o que mais lhe dá prazer e o que melhor sabe na vida: Gols. Certamente essa atitude rara no futebol de fazer uma mudança radical tem um motivo, esse o qual era que declaradamente não tinha motivação, o que é muito importante para o sucesso.

Para o Imperador esse recomeço será cercado de desconfiança e terá de ter como grande aliado, o tempo, algo que no futebol muitas vezes é intolerante, mas sabe-se é preciso fazer tudo passo-a-passo e todos estão cientes disso. É uma contratação de peso, porém é preciso conter a euforia da torcida principalmente.

Tanto o Flamengo, quanto o mais novo atacante ganham com essa nova era. Não é só seu talento e qualidade técnica, que fazem parte desse plano. Sua imagem bem trabalhada pode gerar lucros e mais lucros. Também pode se dizer que sua chegada pode além de contribuir com tudo isso, pode pesar na hora de alguns jogadores decidirem o seu futuro.

A palavra planejamento tem sido a alma do futebol nos últimos tempos, e isso sendo bem feito pode criar não só uma harmonia no grupo, como um elenco de qualidade passa a fazer diferença dentro de campo. O time rubro negro se reforça onde mais precisava e certamente chega forte no campeonato Brasileiro.

A promessa é de uma edição recheada emoção e muitos gols. É só olhar para Adriano, Ronaldo, Fred, Keirrison, Nilmar entre outros.

Bom fim de semana a todos.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Futebol é real, não é lenda


A lenda de que o raio não cai três vezes no mesmo lugar, se foi, e virou realidade. O torcedor do Botafogo se depara agora com os gritos de “vice de novo” do outro lado da torcida, ao invés do “vice é o Cuca”, que proclamou dias atrás. A competência desse treinador nunca foi posta em questão e sim a sua sorte, coisa que o time que dirige atualmente, tem para dar e vender. Falando em Cuca, é um dos principais protagonistas dessa conquista, pelo fato de ter acertado seu meio campo com Kléberson e Ibson. Cabe dizer também, o mérito grande do goleiro Bruno que foi o nome da partida.

Juntar a competência com a sorte é uma das formulas para o sucesso. A equipe do Flamengo teve seus méritos durante a competição, mesmo com problemas extra-campo e provou que sabe decidir como ninguém. Sua torcida, implacável, empurra com uma força do pensamento fulminante, diferente da torcida alvinegra. O carma da velha frase das “coisas que acontecem com o Botafogo”, deveria ser proibida de ser pronunciada se querem continuar crescendo daqui para frente.

Perder mais uma vez não quer dizer que esteja tudo errado, muito pelo contrário. A nova diretoria, já colhe frutos da organização e de seu planejamento. Poucos apostavam no alvinegro no início da temporada e com o tempo, o próprio time mesmo com suas limitações foi lutador até o apito final, diferente de edições anteriores. A perda de Maicosuel e Reinaldo também foram sentidas, porém, me arriscaria a dizer que o segundo tempo da partida de domingo, foi uma das melhores exibições do time no campeonato.

As perspectivas de ambos são parecidas para o resto da temporada. O Flamengo ainda disputa a importante copa do Brasil e deve se reforçar com o peso de Adriano. Perder um ou outro jogador fará parte deste caminho incerto. O Botafogo precisa se reforçar bastante e segurar seu camisa 10. Perdendo o “Mago” ou não, Lúcio Flávio cairia como uma luva nesse time.

Daqui pra frente, os caminhos serão traçados, de acordo com as atitudes de cada um e com a continuação deste bom trabalho, que vem sendo desenvolvido por ambos.

Afinal a hegemonia já dura um bom tempo...

E ai, até aonde vai?

Um abraço a todos.

terça-feira, 28 de abril de 2009

O clássico e o vento

Domingo de decisão é sempre diferente. O torcedor levanta e faz o velho ritual pré-jogo, alguns mais supersticiosos, outros menos, mas no final a coisa se decide mesmo é dentro do campo. O futebol brasileiro tem a riqueza de ter os campeonatos regionais vivos e funcionando a todo vapor, cada um com o seu charme e particularidade.

O charmoso campeonato carioca vive a era da hegemonia de Botafogo e Flamengo. Pelo terceiro ano seguido, a disputa segue acirrada. Equilíbrio é a palavra que pode definir esse confronto nos últimos tempos. Não é por acaso o resultado deste primeiro jogo. A vantagem do placar fica para finalíssima, e a desvantagem começa a ter nome de Maicosuel. Lesionado está vetado. O clássico perde o brilho da categoria do melhor jogador do campeonato.

Vencerá desta vez, aquele que souber se comportar com dignidade e souber com a bola nos pés, fazer o que o verdadeiro futebol conhece. É isso que o torcedor merece, e não a desqualificação de quem nunca colocou o pé na bola. Deixem que o sopro do apito o vento leve, e que a maresia traga de volta, os tempos do futebol arte.

Domingo eu quero respirar bom futebol. E você?

PITACO DOS VIZINHOS

“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça”- frase de Vinicius de Moraes. Aplicou-a num dia de inspiração na calçada de Ipanema. Neste domingo, o domínio de bola de Ronaldo fenômeno no primeiro gol contra o Santos, foi quase uma música, ou uma pintura, ou até mesmo um simples toque de carinho na bola. É assim que se trata ela. Parabéns Ronaldo! Mais uma vez decisivo.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Isso não é futebol

Foto: Marcos Ribolli/GLOBOESPORTE.COM

É véspera de um fim de semana decisivo em vários cantos do País, aqui no Rio de Janeiro será apenas a primeira batalha do confronto. Cada dia que passa as coisas não mudam, e o assunto violência no futebol volta à tona. Acho que nunca é tarde para falar disso, tampouco sobre o feio episódio de domingo passado envolvendo, Domingos e Diego Souza no clássico entre Santos e Corinthians.

Tudo começou quando o técnico Vagner Mancini, que diga se de passagem, vem fazendo um grande trabalho no Santos, coloca o Zagueiro Domingos em campo. Fosse para marcar na bola, anular o craque da partida em campo, a fim de ganhar o jogo, bateria palmas para ele. Porém não foi isso que aconteceu. Infelizmente todo o brilho positivo de seu ótimo trabalho no Santos, se apaga quando percebo a forma vergonhosa como instruiu seu atleta.

Não estou aqui para absolver Diego Souza pela sua insanidade, voltar ao gramado e dar uma banda no adversário. Nada justifica o seu erro grave, que foi partir para violência. Mas, me dói ver que o futebol de hoje, precisa de recursos de anti-jogo para se sair vitorioso de campo. Domingos e Mancini, merecem uma punição tão grande quanto a do meia Palmeirense. Um erro não justifica o outro, porém se não tomarem uma atitude já, o futebol brasileiro vai virar uma bagunça.

Qualquer ato anti-esportivo deve ser passível de punição. A grande verdade, é que o bom exemplo tem de vir de dentro do campo, para que isso se reflita fora dele. Não adianta dizer que vai punir e não punir, fazer campanha pra lá e pra cá, e ninguém tomar uma atitude de verdade.

Que este fim de semana seja de paz e gols nos estádios.

Um bom fim de semana a todos.

Kadu Braga.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Talento x conjunto

No futebol, muitas coisas são discutidas hoje em dia. Planejamento, preparação física, arbitragem, renda, lucros, compra e venda de jogadores etc. Mas, estão se esquecendo de algo essencial: O toque de bola. Quando falo disso, é que sinto falta da qualidade técnica em campo. Não é questão de ser saudosista dos tempos de Zico, ou de Jairzinho por exemplo. O fato é: Falta um algo mais sim, é inegável.

É evidente que hoje em dia a coisa está mais pra lá, do que pra cá, no quesito bom futebol. Infelizmente o espetáculo anda carente do futebol arte, do drible, da magnitude do talento de alguém capaz decidir um clássico. E para que isso aconteça, a bola tem que chegar bem em quem sabe usufruir deste dom. Jogos assim, não podem se limitar ao placar se mexer sem seu verdadeiro brilho, não deve servir só para diferenciar o vencedor do perdedor.

Digo tudo isso por quê? No jogo de Domingo entre Flamengo e Botafogo, faltou justamente algo que se chama toque de bola. Isto muito mais até, diria do lado alvinegro. Não se justifica uma derrota por isso, mas é algo que falta, e muito, ao time de Ney Franco. Limitado tecnicamente e sofrendo de “Maicosuel-dependência”, que é muito talentoso, fica muito difícil aproveitar o bom poder de fogo dos seus atacantes.

Do lado do time rubro negro, este quesito não anda sendo o fim do mundo. Não é sonho de consumo, certo? Mas, têm em Kléberson e Ibson sendo os pensadores do time, e que sabem encontrar em Juan e Léo Moura o “desafogo” do jogo, é claro, quando conseguem executar a manobra, pois também não anda nada fácil. Cuca aos poucos vai montando seu quebra cabeça, fazendo seu time evoluir e teve méritos na conquista da Taça Rio.

Dizer que um time é muito mais forte que o outro, seria um grande exagero. Os dois times não possuem grandes qualidades técnicas, e por isso o jogo foi decidido num detalhe. Culpar o zagueiro Emerson, seria um grande equivoco quando o time todo não vai bem.

E ai, quem decide o campeonato: O talento ou o conjunto?

Um abraço a todos.

Kadu Braga