terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Ronaldo: Fenômeno do início ao fim!

Ronaldo comemora um dos gols na final da Copa de 2002 (Getty Images)

Do garoto sem dinheiro para ir a Gávea treinar à revelação no Cruzeiro. De prodígio em Minas Gerais à goleador na Europa. De fenomenal no velho continente, ao topo do planeta com a seleção brasileira em 2002 e maior artilheiro de todas as Copas em 2006. Tudo isso entre altos, baixos, glórias, dramas em uma bela e invejável história no futebol. Uma história real nesse esporte que retrata bem o que é povo brasileiro. Persistente, humilde, batalhador, conquistador e alegre mesmo com todas as dificuldades.

Ronaldo Nazário de Lima é um exemplo tanto dentro quanto fora de campo. O menino simples de Bento Ribeiro conquistou o mundo não só pelo que fez com a bola nos pés, também pelas conquistas feitas fora das quatro linhas. Uma delas é ter sido nomeado embaixador da ONU.
Colecionou títulos, artilharias, amigos, admiradores, críticos e fez o que pode ao longo de sua carreira.

R9 foi fenomenal até na hora de parar de jogar. Deu mais um belo exemplo de superação. Desta vez teve a serenidade de ouvir o coração e superar o medo de se afastar do convívio diário com a bola nos pés. Com a cabeça erguida e a sensação de dever cumprido venceu mais uma para poder respeitar o seu próprio corpo. Teve a serenidade e a capacidade de reconhecer os próprios limites.

O mundo da bola sentirá muita falta de um ídolo como o fenômeno. Agora é esperar para ver golaços que continuará marcando fora dos gramados. O primeiro ele já marcou ao mostrar coragem, dignidade e atitude em um dos momentos mais difíceis na carreira de um jogador de futebol.

Fica o exemplo para os mais jovens! Parabéns, Ronaldo!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O verdadeiro futebol brasileiro


O futebol brasileiro sempre foi grande e sempre será. É o dono do mundo dentro de campo pelo vasto histórico de conquistas ao longo do tempo. Por um momento, passamos por uma turbulência. Não conseguimos acompanhar as devastadoras cifras que tomaram conta do planeta bola. A seleção brasileira fez figuração nas Copas do Mundo mais recentes e observamos bem de longe os nossos astros brilharem do outro lado do continente.

De tempos para cá a coisa vem mudando de figura. Nos últimos anos os clubes brasileiros colocaram seu nome no cenário internacional. Foi assim com São Paulo e Internacional campeões do Mundial de Interclubes em 2005 e 2006. Fluminense e Cruzeiro chegaram ao vice da Libertadores em 2008 e 2009. No ano passado, o Inter conquistou a América novamente. Nada mal. Saldo positivo ao nosso futebol na década passada.

A grande questão é que o nosso futebol vem se valorizando. Está aprendendo a segurar seus ídolos e suas jóias raras. Além disso, jogadores de nome tem sido atraídos através de campanhas inteligentes de marketing e de projetos vencedores. Exemplos claros como: Ronaldo e Roberto Carlos no Corinthians. Adriano no Flamengo recentemente. Fred e Conca no Fluminense. Neymar e Ganso na companhia de Robinho no Santos. O saldo dessa matemática toda é que o lucro maior ficou na história. Todas estas equipes tiveram pelo menos uma conquista de expressão com estes atletas no gramado.

Agora chegou a vez de Ronaldinho Gaúcho. Certamente por tudo que fez pelo mundo afora com a bola nos pés, chega com o status de maior contratação de todos os tempos no Brasil. Os novos anos 10 já começam com a chegada de um jogador desta magnitude. R10 tem tudo para ser o que já foi tendo este número estampado na camisa do rubro-negro carioca nas costas. Será maravilhoso ter o dentuço nos gramados brasileiros trazendo sua magia, alegria e o futebol-arte. Este é mais um enorme passo do país que tem tudo para viver anos dourados no esporte. É só olhar mais a frente e ver Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 na nossa porta.

sábado, 23 de outubro de 2010

Uma história real da tabela com o elegante Pelé

Era um início de tarde de uma sexta-feira, dia 19 de dezembro de 1997 e tinha tudo para ser como uma outra qualquer. O mais normal seria fazer o caminho da escola até a casa da minha avó, onde geralmente almoçava e depois passaria o resto da tarde por lá com meu irmão e meus primos. Porém, aquele dia seria diferente. O presente de natal daquele ano tinha chegado mais cedo.

Naquela tarde, Pelé estava em visita a Petrópolis-RJ. O Rei do futebol, que era Ministro do Esporte do Governo Fernando Henrique Cardoso, tinha sido convidado para um almoço em sua homenagem, oferecido por um empresário da cidade. Por coincidência, o evento ocorreu em uma residência, onde o proprietario é amigo de longa data do meu pai.

Como amante do futebol, meu pai não perdeu tempo. Nos pegou no colégio e fomos direto para a casa, situada no bairro Corrêas. Com os meus 10 anos de idade, não tinha tanta noção do que estava para acontecer. Mas, como fanático colecionador já me empolgava com a possibilidade de conseguir um autógrafo do maior ídolo do futebol.

Nesta casa tinha um belo campo de futebol e quando chegamos fomos para lá. No gramado brincávamos à espera pelo grande momento. Foi então, quando Pelé chegou acompanhado de sua mulher e do ex-presidente do Santos, Renato Duprat, também lhe fazia companhia.

Elegante, Pelé entrou em campo junto com o dono da casa, que lhe convidou para ir conhecer o gramado antes da cerimônia. Simpatia em pessoa e craque também no campo da humildade, o Rei Pelé foi nosso exclusivamente por pouco mais de uma hora.

Aquela expectativa de conseguir a assinatura do craque na camisa tinha se tornado um sonho, algo inimaginável. Nós tínhamos as fotos para tirar, as camisas para ele assinar, e ele, dono de uma vivência inestimável no futebol, tinha diversas histórias para contar. Acreditem, o eterno camisa 10 do Santos revelou o porque do carinho pelo Clube Regatas Vasco da Gama! Para o ex-jogador, o fato da sua primeira convocação para a seleção brasileira ter sido após um jogo em que atuou meio tempo pelo Santos, e a outra metade pelo time carioca acabou marcando significativamente sua vida.

Enquanto os convidados o aguardavam, Pelé aproveitou a nossa bola para fazer tabelinha, embaixadinhas, dar chutes para o gol e ainda brincou de acertar a trave quando e como quis. Tudo isso de terno! O Rei ainda montou o "time" na hora de fazer a foto (acima) com todos os que estavam presentes. Uma lembrança que ficará em minha memória para sempre por ter tido este momento inesquecível ao lado de uma pessoa tão importante para o nosso futebol.

Escrevi cada palavra tentando lembrar cada detalhe. Posso dizer que o atleta do século será ídolo de todas as gerações. Me emociona recordar e ter a certeza que o "mito" Edson Arantes do Nascimento é um ser tão simples e humano como qualquer outro. Este homem deveria ser reverenciado todos os dias, não apenas quando completa aniversário. Pelé é Rei e nunca perderá a majestade por tudo que fez pelo futebol e pelo esporte.







sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Neymar: Um mito ou um monstro?

Neymar reclama em jogo do Santos (Foto:UolEsporte)

O Brasil tem hoje uma das maiores promessas do futebol mundial. Chama-se Neymar, o camisa 11 do Santos Futebol Clube. Me refiro ao novo talento como promissor, porque creio que ele ainda tem muito a aprender, tanto dentro quanto fora das quatro linhas. Seu talento nato é indiscutível não pode ser ofuscado pelo mau comportamento demonstrado nos últimos jogos. Porém, serve de alerta para todos nós. Tanto a mídia que bajula, quanto a torcida que idolatra, e o próprio atleta que passa a impressão de estar se sentindo acima do bem e do mal.

Certa vez, quando estava à serviço do diário Lance! tive a oportunidade de entrevistar o técnico René Simões, atual técnico do Atlético Goianiense que exerceu duras e justas críticas ao menino santista recentemente. O assunto do papo na ocasião, era outra jóia do futebol nacional. Tratava-se do atacante Keirrison, na época negociado com o Barcelona. Em uma das perguntas usei a palavra promessa e René disse: “A gente hoje no futebol não pode achar que um jogador deste com 21, 22 anos, que é uma promessa. Tem que ser realidade, e ele já é uma”, - completou René.

O treinador da equipe goiana tem razão. Chega a um certo ponto que ou os jogadores se afirmam de verdade, ou então serão eternas esperanças do nosso futebol. Mas o fato de eu me referido a ambos os jogadores da mesma forma talvez tenha um porque. Creio que tanto um quanto outro, ainda precisam fazer muito ao mundo da bola para ser a tal realidade que René dizia.
Existem algumas diferenças entre a histórias dos dois jogadores. Neymar despontou mais tarde, porém foi mais rápido e eficiente que o K9. Já tem mais títulos, mais fama, talvez mais grana e com certeza mais bola. Keirrison teve uma passagem frustrante na Europa e retornou para recuperar o prestígio. O prodígio do Santos fez o oposto. Decidiu ficar, se firmar, se tornar um mito e depois ir ganhar o mundo com mais experiência.

Fugir de comparações é quase impossível quando o assunto é a esfera esportiva. Contudo, acredito que cada grande craque terá sempre a sua marca registrada. A pergunta que se faz é a seguinte: Como Neymar quer ficar marcado no futebol brasileiro? Ele quer se tornar um ídolo de verdade, um jogador de alta categoria, ser um herói e craque de bola, ou quer ser um “monstro”, um ser egocêntrico que só pensa no seu próprio sucesso?

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

No par ou ímpar


Era uma tarde de domingo, por volta de umas três horas. A pelada dominical estava marcada no campinho de um terreno abandonado na Rua Saldanha Marinho. Nada de errado pode acontecer, se não a sagrada peleja entre amigos, "mela". Pois é. Depois de muito custo e saírem de casa fugindo da mesa de almoço logo após a refeição, Zezinho e Pedrinho chegaram no local que é simples, mas para a molecada é um verdadeiro Maracanã.

O clima no “Caixotão”, apelido dado pela turma por ser cercado de casas ao lado, é sempre descontraído e os curiosos ficam assistindo nas lages ou muros que cercam. Os garotos olham para o céu com medo da chuva. Verificado o céu ainda limpo, começa o “blá, blá, blá”, para serem escolhidos os times. Também gera a polêmica na hora do cara ou coroa para decidir o campo e quem tira a camisa para não confundir.

Estão lá no meio do campo Zezinho e Pedrinho para bater o par ou ímpar. A galera é repleta de bons de bola, mas sempre tem aquele que fica no pé do ouvido para cavar a escolha, e também influenciar dizendo “escolhe o fulano”. Bem, são coisas do mundo da bola. Zé iniciou a escolha. Pediu par e se deu bem, mas ia ter de tirar a camisa. Disse “Quero o Ganso!” – exclamou o menino. Pedro não perdeu tempo e falou. “O Neymar é meu então e o segundo escolhe dois. O Hernanes ta com nóis - retrucou o outro. O novato Mariola, preocupado, ainda tentou influenciar pedindo pela escolha do Victor para ficar no Gol. Na seqüência, Robinho foi o escolhido para a equipe sem camisa. Depois André para os adversários, e assim a escolha dos jogadores foi saindo até começar o jogo.

Neymar, abusado, ainda cismava em ficar com o campo. Mas, como a regra é clara, quem ganha na disputa de moeda, pode escolher. Bom, assim tá justo para os dois. A batalha começa e o time de Zezinho abriu do logo dois gols de diferença. Ganso e Robinho jogam tocando fácil até empurrar para o gol. Hernanes em cobrança de falta diminui colocando a bola onde queria. Pouco depois, Neymar sofreu pênalti bem cavadinho no campo de terra. O garoto travesso sempre chega em casa todo sujo. Até aí tudo bem. Foi quando Chico Pézão deu um chute bisonho e isolou a única bola que tinha. O pior é que caiu na casa do único vizinho que tinha saído naquele dia.

Sem bola e com tudo igual no placar, Robinho não parava de resmungar dizendo “Esse pé grande do Chico só serve para isolar bola!”. Ele ainda tentou juntar umas meias do pessoal da platéia para matar a vontade, mas a noite já começava a cair. A lua apareceu, nada de seu José voltar pra casa para devolver a redonda. Assim, a galera voltou pra casa com sede de mais. Todos naquela ansiedade pela devolução ou não da bola. Uma semana de angústia e contagem regressiva até o reencontro com a amada bolinha estava só começando.

A história escrita acima é um pequeno relato imaginário da infância de um menino, que um dia pode vir a brilhar nos gramados Mundo afora. Assim eles nascem, crescem e se desenvolvem para fazer o que melhor sabem, que é jogar pelada! Esta é uma síntese da nova cara da seleção de Mano Menezes que foi apresentada nesta terça-feira. É o futebol com “molecagem” e alegria que só brasileiro sabe fazer.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Mano Menezes se apresenta na seleção querendo "futebol moleque"

Foto: Vipcomm

A seleção mais importante do Mundo tem um novo treinador. Depois da tentativa frustrada em contratar Muricy Ramalho, a CBF escolheu Mano Menezes para ficar à frente de um projeto de longo prazo na seleção brasileira. Esta nova fase inclui o planejamento das Olimpíadas de Londres em 2012, a Copa de 14 no Brasil e também os nossos jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Uma boa tacada da confederação brasileira de futebol, pois já se reflete no papel um pensamento que se torna obrigação colocar em prática: a renovação.

Diferentemente de Dunga, Mano sabe o que responde. O atual técnico aparenta ter em sua conduta, a mescla de seriedade com serenidade e até sinceridade. Além dos novos nomes chamados, outro detalhe muito positivo neste inicio, é que o clima no auditório escolhido para realizar o anúncio é bem menos tenso. Também dá para perceber o orgulho do treinador de estar onde está, por já ter passado por diversas situações na carreira. Assim, ele valoriza o seu novo cargo.

Não sou muito a favor de comparações e seria extremante precipitada qualquer que seja feita entre o atual e antigo técnico. O fato é que partir de agora, a missão do ex-treinador do Corinthians é por o futebol brasileiro com a sua verdadeira cara, algo que já está sendo colocado em prática. A aparição de nomes com as características “molequentas”de Paulo Ganso, Neymar, Hernanes e André é um bom começo.

Para o primeiro momento as surpresas foram positivas. Creio que a inédita medalha de ouro Olímpica seja uma obsessão, não só dele, mas de todos os brasileiros. Precisaremos ter calma e paciência para atingirmos os objetivos aos poucos. Agora estou convencido de que, quando todos os jogadores estiverem à sua disposição, vai dar um samba bonito dentro de campo.

Assim, quem sabe, poderemos fazer jus ao o nome sugerido (“samba”) para a bola da Copa de 2014.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Muricy chegou e o profissionalismo voltou

Muricy Ramalho é o substituto do treineiro-estampa com nome de Dunga. Acaba a era da imagem, da força, da maneira de vencer a qualquer custo e agora teremos um professor de futebol de verdade. Voltamos para a era do profissionalismo. O novo comandante verde e amarelo têm um currículo invejável, e ainda carrega em sua bagagem rumo à CBF os ensinamentos de um grande sábio do futebol, Telê Santana.

O esporte mais popular do Mundo vive de resultado. Por isso, creio que a escolha feita por Ricardo Teixeira foi no mínimo justa. Nos últimos anos foram conquistas de três campeonatos brasileiros consecutivos comandando o São Paulo. Também se leva em conta as boas participações em Libertadores e Campeonatos Estaduais.

Muricy precisará de tempo para mostrar seu trabalho. Algo bem cruel no futebol, pois tudo acontece muito rápido. Na próxima segunda-feira, o técnico já fará sua primeira convocação. No dia 10 de agosto já tem amistoso contra os Estados Unidos, em Nova Jersey.

Agora, a expectativa que fica é não só de saber dos novos convocados. Na próxima semana também será feito o anúncio da comissão técnica completa. Pela seriedade de trabalho do novo chefe, certamente este time de profissionais de fora de campo será de alto gabarito.

Precisamos tentar conter a euforia com a novidade. Será necessário muito critério de todos nós a partir de agora. Temos jovens valores em nosso futebol com muito talento e que não podem ser jogados na fogueira do dia para a noite. A nova geração não pode ser tratada como salvadora da pátria. Tampouco pode ser vista como pronta para resolver um problema construído pelo insucesso do time brasileiro na Copa de 2010.

O torcedor terá de ter paciência, pois a renovação deverá ser feita gradativamente. Quem sabe assim nossas jóias poderão ser lapidadas para dar um show de bola e de eficiência em 2014.