domingo, 23 de setembro de 2012

PH Ganso ou PH Ganância?

Paulo Henrique Ganso, brasileiro, 22 anos, meia-atacante, revelado pelo Santos Futebol Clube. Uma das maiores promessas do futebol verde e amarelo agora segue para o vizinho rival São Paulo F.C. Vejamos que coisa interessante. Há bem pouco tempo atrás a maioria dos nossos jogadores arrumavam as malas para bem longe. Agora, a distância se transformou em apenas alguns quilômetros de estrada.          

Sorte a nossa! É maravilhoso ter os melhores jogadores aqui. São eles que proporcionam o espetáculo, levam o público ao estádio, aumentam as receitas, trazem títulos, torcedores e fazem história e se tornam ídolos. Precisamos valorizar cada vez mais nossas peças raras, se fortalecer com infra-estrutura para atrair craques e novos investimentos.

O caso à parte da transferência de Ganso cabe  algumas ressalvas. A carreira do novo camisa 8 são paulino é, para muitos, considerada instável. É claro que suas lesões contribuiram bastante para isso. Mas, PH8 sempre demonstrou insatisfação em relação aos seus contratos, preocupou-se demais nos últimos tempos com sua conta bancária, visivelmente não tem um planejamento de carreira muito bem definido. Só para exemplificar, o jogador não possui um site oficial próprio!

Ganso já teve conquistas importantes no cenário nacional como a Copa do Brasil e a Libertadores pelo time santista e se quer projetar um futuro brilhante deveria correr mais dentro de campo do pensar na sua vida fora dele. Quando o assunto é seleção brasileira, às vesperas da Copa de 2014, está sendo engolido por Oscar e Lucas que já estão se encaminhado no futebol internacional. Não fosse sua 'ganâcia' poderia estar seguindo os mesmo rumo pelo talento que têm com a bola nos pés.

Mas é bem verdade também que ninguém é escravo de ninguém. Talvez no São Paulo, contando com profissionais como Renê Simões, atual diretor técnico do clube - que foi importantíssimo quando chamou publicamente à atenção do craque Neymar em um 2010, junto ao atual técnico Ney Franco que trabalha bem com jovens, consigam colocá-lo no caminho certo.

Caso contrário, Paulo Henrique Ganso será mais um disperdício de talento em nosso futebol.


créditos: (Foto:divulgação WEB)

terça-feira, 14 de agosto de 2012

As Olimpíadas, o Brasil e o Futuro

Foto: André Mourão/Odianet

Um clico Olímpico se fecha, outro se abre. Próxima parada: Rio de Janeiro, 2016. Responsabilidade literalmente entregue nas mãos dos cariocas e brasileiros que terão a missão de fazer sucesso dentro dos ginásios, gramados, tatames, pistas e, principalmente, na organização do entorno de tudo isso. O peso é maior ainda, pois pela primeira vez na história os Jogos Olímpicos serão realizados na América do Sul.

Se formos analisar o que crescemos em termos de resultados esportivos, podemos bater palmas para o Ouro inédito de Arthur Zanneti (Argolas - Ginástica Artística) e o de  Sarah Menes, no Judô, por exemplo. Saldo positivo em comparação ao passado em números e novidades. Contudo, é  frustrante terminar a competição na posição de número 22, ficando atrás de países como Cazaquistão e e Irã. 

Um dos problemas graves do esporte Olímpico no Brasil é a falta de investimento na base. Não temos infra-estrutura adequada para a maioria do esportes e não sabemos formar atletas por meios até mais simples, que é no desporto educacional e no de participação. Em outros países, como nos EUA, por exemplo, os talentos são detectados na prática do dia-a-dia, sendo utilizado tanto como elemento social, quanto na qualidade de vida em sua prática corriqueira.

Para termos bons resultados em âmbito geral daqui há quatro anos, será necessário olhar para todos os lados da mesma maneira. Uma boa organização é obrigação. Os resultados dependerão do planejamento  feito e consequentemente executado. É de extrema importância a união das várias entidades, governamentais, não governamentais, iniciativa  privada, federações, confederações, clubes. Chega de vaidade. Esta é a chance do País deixar um legado positivo de verdade à população. 

Mais ainda uma oportunidade única combater ainda os nossos eternos problemas sociais.


BATE-BOLA SOBRE A SELEÇÃO

Nunca tinha visto, nem nunca tinha imaginado na história do futebol, um treinador de seleção brasileira entrar numa final de disputa de Ouro Olímpico inédito com uma equipe tão covarde em campo. Pior ainda é ficar observando tudo sem tomar providência.

Mano Menezes deu um verdeiro tiro nos próprios pés.  Sua convocação até de certa forma criteriosa. Na escolha do substituto Rafael Cabral, goleiro do Santos (cortado por lesão), contrariou o óbvio. Colocou a "carroça na frente dos bois" e promoveu o inexperiente Gabriel, ex-cruzeiro e atualmente no Milan à posição de titular. 

Enfim, não soube utilizar as peças que tinha. Perdeu porque não souber fazer o time vencedor.   Portanto não está preparado preparado para estar à frente do time em 2014, no Brasil. 



quarta-feira, 21 de março de 2012

Uma nova Era do Futebol: estamos perdendo a identidade?

Carteirinha de Messi ainda jovem no Barcelona. (Divulgação/El País)

Uma nova Era do Futebol: estamos perdendo a identidade?

Hoje eu acordei depois de sonhar com mais um golaço de Messi. Na minha infância era diferente. Dormia e despertava com Ronaldo, Romário, Ronaldinho, Rivaldo, Túlio e outros por aí na cabeça. Minha infância foi bem recheada de ídolos e conquistas dos brasileiros pelo mundo afora. Incrivelmente cheguei a comemorar gols rodando o braço imitando o "Pé de Anjo", Marcelinho Carioca, e ter a camisa 8 do Oséas, ex-Palmeiras.

Pois bem. Atualmente o cenário é outro. As crianças só falam em Messi, Cristiano Ronaldo, Xavi e por aí vai. Mais do que justo. Tanto pelo que jogam, quanto pelo que representam pela boa postura como ídolos. São jogadores de clubes internacionais com alto apelo midiático e estão fazendo a diferença. Superando recordes quase inimagináveis.

Decido não escrever apenas sobre Messi pelo simples fato dele ser o primeiro da turma desta nova "Era do Futebol". O que me preocupa é ver os ídolos estrangeiros tomarem conta da mente dos nossos jovens há pouco mais de dois anos da Copa do Mundo de 2014 que será realizada aqui no Brasil.

Em nosso país quem salva é Neymar. Um craque de bola que merece atenção especial tanto dentro quanto fora de campo. Ele é o único espelho que a garotada de hoje têm e não podemos perdê-lo de vista. Discordo de Mano e Ronaldo que recomendam que vá para fora. O camisa 11 do Santos deveria servir de exemplo para o futebol brasileiro se fortalecer de vez e não apenas alimentar o espetáculo do futebol internacional.

Precisamos refletir muito o que está acontecendo. Estamos tendo a oportunidade única de crescer com a infraestutura montada para a Copa e para os Jogos Olímpicos. No entanto, ainda não aprendemos a valorizar os nossos ídolos e por isso sempre viram estrangeiros bem rápido.

As comparações no meio futebolístico vão sempre existir. Este novo momento de mudanças vai alimentar cada vez mais isso. É preciso ter apenas cuidado porque Pelé sempre será Pelé. Ronaldo sempre será Ronaldo. Maradona sempre será Maradona. É importante lembrar que a história jamais se apaga.

E agora: podemos deixar Messi ser Messi?

E, claro, Neymar ser Neymar!



quinta-feira, 15 de março de 2012

Os novos velhos problemas do futebol brasileiro

Ricardo Teixeira em discurso na CBF (Foto: divulgação / CBF)

Os novos velhos problemas do futebol brasileiro

O mundo dá voltas, não pára, e os problemas se repetem no futebol brasileiro. Esta semana foi a vez da renúncia de Ricardo Teixeira, que deixou a presidência da CBF. Entre títulos e glórias deixou também em seu legado vários problemas e em um momento crítico, na reta final da preparação para a Copa de 2014.

O obscuro futuro da modalidade no País deixa só questionamentos e apostas. O modelo de gestão ultrapassado continuará e não resolverá nada do dia para noite. Mudar o comandante parece muito simples, a solução de tudo. Trocar o piloto não adianta se o funcionamento da “aeronave” continuar a mesma.

Se dentro de campo a renovação é fundamental, fora dele também é mais do que necessário. As dificuldades dos clubes, das federações e do calendário mal organizado são reflexo da falta de organização da entidade máxima. Sem um bom comando, não há ordem. Estranho até ler na bandeira brasileira “ordem e progresso”, se isto aqui é raro de se encontrar.

A força dos clubes unidos já foi demonstrada em outras ocasiões. Exemplo claro foi a criação do “Clube dos 13”, em 1987. Chegou a hora de uma nova revolução no Brasil. As entidades esportivas precisam se movimentar para que isso aconteça. Aos poucos as equipes estão entendendo a importância da infra-estrutura, da profissionalização. Os mega-eventos vieram no momento certo para colaborar neste sentido.

É preciso ainda uma conscientização geral para tudo funcionar bem. Isto vai desde o torcedor ao presidente da entidade máxima. E agora, será que estamos preparados para isso?

Na realidade o exemplo deveria vir de cima.

CASO ADRIANO

O caso do atacante aparenta ser um pouco incomum. Ele é o tipo do atleta que precisa estar em um ambiente em que se sinta bem. O problema soa mais pelo lado emocional do que físico. Com isso, a bola de neve só cresce: auto-estima baixa, não se cuida como deveria e conseqüentemente as lesões físicas que o impedem de ter o rendimento excepcional que poderia ter onde estiver.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Futebol na essência dos tempos de escola


Messi e Neymar: os craques da atualidade. Foto: (Montagem/ Portal R7)


FUTEBOL NA ESSÊNCIA DOS TEMPOS DE ESCOLA


Escuto toda hora frases que tentam explicar o futebol por aí: "o futebol vem mudando muito", "a era moderna pragmatizou o futebol", "hoje em dia é só futebol força". Pois bem. Após o show dado pelo camisa 11 do Santos esta semana, ouvi uma definição de meu irmão João Pedro que não vou esquecer: "A diferença entre o Neymar e os outros é absurda! É como se ele fosse da sétima série e jogasse contra os garotos da terceira". Ao ouvir isso me coloquei a pensar sobre a real atualidade do esporte mais popular do planeta.

Para mim, na realidade, esta modalidade não mudou radicamente - e não mudará nunca. Simplesmente evoluções vem acontecendo, como é natural em qualquer coisa na vida. Contudo, a essência continua a mesma. Se destaca quem tem talento, quem sabe jogar bola naturalmente como se tivesse jogando na escola, na rua, na várzea, como se fosse uma brincadeira. A grande diferença é que no futebol profissional valem pontos, títulos, prêmios, dinheiro e fama.

Messi e Neymar estão em nível muito acima da média e qualificados entre os maiores jogadores do futebol atual. Sabem mesclar seriedade com talento. São craques de bola que brincam de jogar valendo coisa séria. Tocam fácil. Não tem medo, não fazem firula demais. Outra coisa em comum entre os dois é alto poder de decisão sem deixar o jogo coletivo de lado. Esta sim é uma característica do tal "futebol moderno" que deve estar incluída no DNA de qualquer candidato a futuro craque de bola.


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Um jogo bonito, limpo, digno e justo

O craques Neymar e Messi se cumprimentam após o jogo (Foto: AG Reuters)

O futebol imprevisível não se permitiu neste fim de ano. Deu barça com todos os méritos. Mostrou superioridade em todos os momentos com dignidade, sem soberba alguma. Como de costume, a equipe do Barcelona deu mais uma aula ao mundo da bola, dentro das quatro linhas. O que se viu foi um jogo moderno à moda antiga, em que as duas equipes se respeitaram ao longo da partida e quem jogou melhor venceu.

A qualidade técnica dos espanhóis é cada vez mais notória. Um time quase incontestável e praticamente imbatível. A equipe treinada por Pep Guardiola joga fácil. Todos os jogadores atuam em um mesmo nível e a impressão que se tem é que tudo está sempre sob controle dentro de campo. Jogam sem muitos truques ou jogadas mirabolantes. Dois ou três toques na bola resolvem a jogada e o gol sai naturalmente.

Brilhantismos à parte de Neymar e Paulo Henrique Ganso e somado aos decisivos de Borges, o time do Santos deixou claro que não tem conjunto. Muito frágil em sua retaguarda. A equipe de Muricy Ramalho não fez frente ao Barcelona, é claro pela superioridade do adversário, mas deu provas reais que não tem equilíbrio tático e técnico suficiente nos setores do gramado para ser dona do universo do futebol.

A equipe santista perdeu porque perdeu. Embora o resultado já fosse previsível para muitos, aconteceu de maneira nautural. Uma derrota “de pé” do Santos, diante do melhor time do mundo. Uma perda de título do absolutamente normal. Goleada com show de bola do equipe catalã e postura admirável dos brasileiros. Interessante observar o bom comportamento da equipe santista.

Saldo negativo no placar para o Santos. Contudo, saldo positivo pelo contexto. Podemos observar e admirar que nossas jóias estão sendo bem trabalhadas no ponto de vista emocional. Um passo a diante porque em 2014, Neymar terá de ser Neymar. Ganso terá de ser Ganso.

No futebol atual as conquistas vem com muito trabalho, conjunto e jogadores de qualidade. Mas, ter cabeça no lugar é fundamental. Fica o exemplo de um jogo histórico que foi bonito, limpo, digno e justo.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Seleção sem pé nem cabeça

Neymar no jogo contra o Paraguai (Foto: AFP)



O selecionado brasileiro continua perdido. Desde a Copa do Mundo da África, o time canarinho vem perdendo suas principais características e não consegue ser decisivo em campo. O que se viu nesta Copa América foi muita vaidade e pouca produtividade. Ao contrário do discurso de Robinho após o jogo, o Brasil fez uma campanha péssima nesta competição: dois empates, uma vitória na base da vontade e um resultado deplorável nas quartas de final.

Ainda no ano passado, o problema parecia mais psicológico. O nítido descontrole dos jogadores com o jeitão arrogante de Dunga no comando da equipe. Falou-se ainda na ausência de jogadores experiêntes para chamar a responsabilidade na hora da verdade. Mano vem reestruturando o time, mas repetiu um dos erros do ex-treinador. Abriu mão de talentos como Ronaldinho Gaúcho e Hernanes. Não teve Kaká e Luis Fabiano por lesão. Está faltando equilíbrio de uma forma geral e é preciso rever alguns conceitos na questão de planejamento para não dar outro vexame em 2014.

É preciso ter muito cuidado com a nova geração de Neymar, Paulo Henrique Ganso, Lucas, Alexandre Pato. Esta turma talentosa merece uma atenção especial, tanto dentro quanto fora das quatro linhas. O futebol mudou. Antigamente Pelé, Garrincha, Zico, Roberto Dinamite, Romário, Ronaldo entravam em campo e eram respeitados. Hoje em dia o equilíbrio é muito grande. E para piorar, o ego das nossas estrelas também. Uma partida de futebol se vence com bola na rede, habilidade e molejo nas pernas, não com as pernas “engessadas”, como fica parecido com a meia coberta até o joelho dos jogadores.

Para falar um pouco da fatídica partida, os minutos jogados em sí foram bons. O Brasil mandou na maior parte do tempo cronometrado. Até ali faltou a bola “só” a entrar. Na hora das cobranças faltou tudo: experiência, malandragem, atitude, cabeça no lugar. O que aconteceu foi anormal e ninguém tomou uma atitude. O problema é que os jogadores nunca acham que tudo vai dar errado e cada vez se importam menos com o resultado.

O mérito fica para os nossos adversários.